Presídios brasileiros: Uma doença social grave

Existe superlotação nos presídios? Sim, existe.  As celas têm muito mais gente do que deveriam? Infelizmente tem. E isso não pode ser tratado como uma responsabilidade exclusiva dos Poderes instalados no Amazonas, uma vez que o sistema carcerário de todo o país está um caos. Se tem muita gente nas celas é porque existe polícia para prender. Se existe polícia é porque existem ações do Governo na área de segurança, ainda que no momento estejam limitadas por conta da crise que afetou todo o país. As super lotações dos presídios e o caos no sistema prisional não são situações exclusivas do Amazonas. São problemas presentes de Norte a Sul do Brasil, em cada um dos 26 Estados brasileiros. E quais os crimes que mais geram prisões no Brasil? O tráfico de drogas, seguido de roubo qualificado.

Portanto a base do problema de superlotação dos presídios de todo o país, que até culminou em 56 mortes em um dos presídios do Amazonas, é o tráfico de drogas. Problema que precisa ser combatido com muito mais efetividade, inclusive com planejamentos estratégicos internacionais.  Isso porque o Amazonas é um Estado de fronteira, cercado de floresta úmida e com território mais extenso que muitos países, o que dificulta em centenas de vezes qualquer fiscalização. Mais de 30% da droga que entra no Brasil entra pela fronteira do Amazonas.

E quem apoia e chefia os traficantes no Amazonas? Cartéis colombianos e peruanos, os maiores produtores de cocaína do mundo, além das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e PCC (Primeiro Comando da Capital), que aterrorizam o eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Muitas dessas drogas têm destino internacional. Um mercado consumidor que cresce a cada dia e que demanda drogas que passam pelas mãos destes traficantes.

Enquanto não for declarada guerra ao tráfico de drogas, enquanto não houver planejamento estratégico, e projetos nos presídios que coloquem os presos para trabalhar e produzir algo de bom para a sociedade, algo que retribua as despesas de mantê-los confinados por seus crimes, qualquer outro investimento será desperdício de tempo e de recursos que poderiam ser melhor aproveitados.

Essas medidas não são novidades. Têm sido apresentadas como soluções há tempos, sem que efetivamente sejam executadas. A questão é que costumamos avaliar que investir em presídios é desperdício de dinheiro, mas esses lugares têm se tornado faculdade de criminosos. Temos gasto mais para manter o cidadão de bem em segurança, muitas vezes sem êxito, do que se estivéssemos combatendo a raiz do problema: o tráfico.

Investir em segurança e investir no policial é fundamental, mas a criminalidade continuará crescendo se as “universidades carcerárias” continuarem formando bandidos financiados pelo tráfico. Nosso sistema carcerário é uma patologia social grave, e não se cura uma doença tratando só os sintomas, mas sim combatendo a causa.

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